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sexta-feira, novembro 12, 2010

Pássaros em círculo
Atravessamos o jardim,
e, sob os nossos passos,
a neve estala como pão acabado de fazer.

Tudo tem a cor da palavra
que ainda não foi escrita.
É a hora.

Abraçados no meio do silêncio
parecemos dois anjos de barro.

Não importa se te digo «não voltes tarde a casa»,
da necessidade daquele que fica
não depende o reencontro.

Abro o gradeamento.
A sensação de perda gira dentro de mim
como um cão que ladra e que dá voltas
em redor de uma árvore.

Não importa se te digo para ficares.

A neve desnasce-se,
mostrando a fugacidade da beleza:
(amo-te porque sim, não para que o tempo
venha a ser mais benévolo comigo.)

O sol reconcilia-nos com a morte.

É a hora.
O relógio dos pássaros serve de tecto ao dia.




Josep M. Rodríguez




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2 Comments:

Blogger samson said...

uau. quem escreve?

14/11/10 12:44  
Blogger lebredoarrozal said...

Josep M. Rodríguez

14/11/10 23:22  

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