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Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

O bico da tesoura a levantar ligeiramente
a pele. E o ar da manhã. Todas as manhãs a
amanhecerem assim. «Um pouco dentro
de mais», poderá alguém dizer, talvez
pensando em sangue, ou carne viva. Mas
não é isso. A tesoura é aqui apenas uma
imagem, não serve para cortar, nem perfurar,
não deixa à vista mais nada que uma leve
sensação de atrito, já muito destilada:
uma porta aberta pela manhã - e o ar
muito fresco ainda, quase húmido. Sei que
ver é uma maneira de ser visto. Não uma
ferida, mas um estar a descoberto, e nem
sequer muito fundo, porque não há fundo.
Antes uma certa transparência da matéria,
sob a qual o sangue corre como fora corre
um rio.




Rosa Maria Martelo



Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.




Herberto Helder




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Terça-feira, Janeiro 17, 2012

isto era o destino:
chegar à margem e ter medo da quietude da água.







antonio gamoneda




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Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Sentar-me e
ver os outros passar é o
meu exercício favorito. Entretém.
Não esgota.
É gratuito. Neste meu jogo-do-não
são os outros que passam
(é aos outros que reservo a tarefa
de passar). Lavo daí os pés.
Escrevo de dentro da vida.
Pode até parecer que assim não
chego a lugar algum mas também quem
é que quer ir
ao sítio dos outros?




João Luís Barreto Guimarães




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Quinta-feira, Janeiro 05, 2012

Another belief of mine: that everyone else my age is an adult, whereas I am merely in disguise.





Margaret Atwood




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