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quinta-feira, abril 28, 2016

O céu inteiriçou-se a todo o comprimento
Do vidro ao levantar a persiana.
 
Levou as mãos ao rosto, atravessou a sala, ao canto
Da qual reinava o espelho, e aproximou-se
Dele como o não fazia há muitos anos.


Luís Miguel Nava




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segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Escrevo-te cartas, muitas cartas
palavras em excesso
a descrever paisagens vazias

como frases de um guião que o
esquecimento  apagou

ali o tempo não passa

e onde eu continuo a caminhar
porque tenho que ir para algum lado


Maria Sousa





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terça-feira, janeiro 12, 2016

There's a starman waiting in the sky

sexta-feira, janeiro 08, 2016


Coisas que fazem o coração bater mais depressa


Pardais a alimentar as suas crias. Passar por um lugar onde brincam bebés. Dormir num quarto onde se queimou incenso delicado. Reparar que o nosso elegante espelho chinês está a ficar baço. Ver um cavalheiro parar a sua carruagem em frente ao nosso portão e mandar os seus criados anunciar a sua visita. Lavar o cabelo, preparar-nos e vestir roupas perfumadas. Ainda que ninguém nos veja, sentimos um íntimo prazer. É de noite e esperamos uma visita. De repente somos surpreendidos pelo som das gotas da chuva que o vento atira contra as persianas. 


Sei Shonagon
( versão maria sousa)



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terça-feira, dezembro 29, 2015

A minha intimidade é pequena
cabe na minha boca
e desliza por entre os dentes;

se a descubro a fingir que é saliva
engulo-a,
não quero vê-la alheia nas palavras
nem perdê-la com um beijo

Ana Merino



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terça-feira, novembro 10, 2015

tradução “caseira” da lebre



Sou o único actor.
É difícil para uma mulher
interpretar uma peça inteira.
A peça é a minha vida,
o meu acto único.
O meu correr atrás das mãos
e nunca as apanhar
(as mãos não se vêem -
ou seja, estão nos bastidores)
Tudo o que faço em cena é correr,
correr para acompanhar
mas sem o conseguir.

De repente paro de correr.
(isto avança um bocado com o enredo)
Faço discursos, centenas,
todos orações, todos solilóquios.
Digo coisas absurdas como:
ovos não podem discutir com pedras,
ou, mantenham os vossos braços partidos dentro das mangas,
ou, estou aqui de pé mas a minha sombra está torta.
E tal e tal.
Muitos buhs. Muitos buhs.

Apesar disso eu continuo para as ultimas deixas:
Estar sem Deus é ser uma cobra
que quer engolir um elefante.
A cortina cai.
A assistência apressa-se a sair
foi uma má interpretação.
Porque sou o único actor
e há poucos humanos cujas vidas
farão uma peça interessante,
não concordam?


Anne Sexton



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quinta-feira, outubro 15, 2015