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domingo, abril 25, 2010

25 de Abril, Sempre!

Cada dia tenho menos uma letra,
uma boca e a mão para a dizer.
Fui colhendo a noite, palavras surdas,
o silêncio que a morte continua
sob a pele da madrugada.
Cada dia tenho menos um coração,
menos uma noite. Resta-me a memória
de abril dentro um copo de esquecimento,
o fundo da liberdade
que alguém bebeu de nós:
a canção morena da alegria,
o cravo ao rubro de fundir a paz.
Menos uma boca, uma criança
alada. Menos uma cidade onde a esperança
se cola ao rosto. Os meus passos presos
ao chão são menos o olhar que a manhã
oferece. Mas era uma vez e aconteceu
um dia, em todos os outros desse dia,
por muito tempo e ainda agora:
acordar, pôr o café na chávena
e barrar o pão com a liberdade.





Rosa Alice Branco






3 Comments:

Blogger Amélia said...

Foi bom ler este poema - eu que ando desencantada, revivendo as emoções e memórias de alegria de há 36 anos...Ganhámos, sim, a liberdade de poder, por enquanto, opinar sem por isso correr o risco de ser presos,- quando muito perdendo lugares, como aconteceu na DREN em tempos, contra os novos vampiros que, como na canção do Zeca, comem tudo e não deixam nada...

25/4/10 18:14  
Blogger Filipa Júlio said...

viva o 25 de Abril, viva a liberdade!

26/4/10 11:06  
Anonymous candida said...

viva eu!
o resto, caguei.

10/5/10 21:25  

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