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terça-feira, janeiro 27, 2009

tradução caseira da lebre


Quem fala do amor? Eu tenho frio
e quero ser Dezembro

Quero chegar a um bosque apenas sensível,
até à maquinaria do coração sem saldo.
Eu quero ser Dezembro

Dormir,
na noite sem vida,
na vida sem sonhos,
nos tranquilizados sonhos que desaguam,
no rio do esquecimento.

Há cidades que são fotografias
nocturnas de cidades.
Eu quero ser Dezembro.


Para viver ao norte de um amor que aconteceu
debaixo do beijo sem lábios de já há muito tempo,
eu quero ser Dezembro.

Como o cadáver branco dos rios,
como os minerais do Inverno.
Eu quero ser Dezembro



Luis García Montero




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4 Comments:

Blogger menina limão said...

primeira imagem do Alice ambígua no género?

27/1/09 15:19  
Anonymous acoldzero said...

acho que sou eu um bocadinho. um bocadinho muito. eu sou inverno. e ser inverno é ser dezembro, não só mas também. (eu sou mais Novembro.. mas, ) gosto, e faço minhas as palavras da menina limão (ainda que não seja um leitor do Alice à taaaanto tempo assim..)

27/1/09 20:24  
Blogger Daniel Francoy said...

é um poema imensamento belo e triste. bate fundo esse anseio de ser o que nunca poderemos ser - ainda quando desejamos ser apenas um abandono branco e gelado.

28/1/09 03:05  
Blogger ana c. said...

já não vinha aqui há algum tempo. sempre demasiado tempo para a beleza que aqui encontro. este poema foi das melhores coisas que já li. fez-se dezembro cá dentro.

4/2/09 01:04  

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