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segunda-feira, março 24, 2008

No entanto hei-de falar-vos delas um dia, se me lembrar, se puder, das minhas estranhas dores, em pormenor, distinguindo entre os diferentes géneros, para maior clareza, as do entendimento, as do coração ou afectivas, as da alma (mais bonitas não há) e finalmente as do corpo propriamente dito, primeiro as internas ou latentes, depois as da superfície, começando pelo cabelo e couro cabeludo e descendo metodicamente, sem pressas, até aos adorados pés, lugar dos calos, cãibras, frieiras, joanetes, unhas encravadas, pústulas, gangrena, pé boto, pé de pato, pé-de-galo, pé-de-cabra, pé chato, pé de atleta e outras bizarrias. E, aos que tiverem a gentileza de me ouvir, falarei também, na mesma ocasião, de acordo com um sistema inventado já não me lembro por quem, daqueles instantes em que, sem se estar drogado, nem bêbado, nem em êxtase, não se sente nada.




Samuel Beckett



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6 Comments:

Blogger manuel said...

nada, é peixe

24/3/08 02:03  
Blogger menina tóxica said...

que bem que soube reler este pedacinho :)

24/3/08 09:51  
Blogger angela said...

e nesses instantes
(um) suspiro
como agora

24/3/08 17:25  
Blogger linfoma_a-escrota said...

investiga sobre um senhor chamado edward bond... conheces ??


WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

24/3/08 20:51  
Blogger indigo des urtigues said...

Estas estranhas dores...

Bjo :)

25/3/08 23:15  
Blogger menina limão said...

brutal este texto.

1/4/08 01:09  

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