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quarta-feira, setembro 12, 2007

tradução caseira da lebre


Andar não era suficientemente rápido, por isso corremos, correr não era suficientemente rápido, por isso galopámos. Galopar não era suficientemente rápido, por isso velejámos, velejar não era suficientemente rápido por isso rolámos felizes por longos carris de metal. Os longos carris de metal não eram suficientemente rápidos, por isso conduzimos. Conduzir não era suficientemente rápido, por isso voámos. Voar não é suficientemente rápido, não para nós. Queremos lá chegar depressa. Chegar onde? A qualquer sitio onde não estejamos. Costumam dizer que uma alma humana só pode ir tão rápido quanto um homem pode andar. Nesse caso, onde estão as almas todas? Deixadas para trás. Vagueiam aqui e ali, lentamente, luzes sombrias, tremeluzentes, de noite nos pântanos, à nossa procura, mas não são suficientemente rápidas, não para nós, estamos muito à frente delas, nunca nos apanharão. É por isso que nós podemos ir tão depressa? As nossas almas não nos pesam.



Margaret Atwood



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6 Comments:

Blogger menina limão said...

perfeito perfeito perfeito!

(um dos teus melhores posts, se é que é possível eleger favoritos)

12/9/07 03:59  
Blogger ana salomé said...

um dos melhores entre todos que são sempre do melhor.

12/9/07 13:25  
Blogger blasfemea said...

gostei muito! podes-me aconselhar alguma coisa de Margaret Atwood por favor?

13/9/07 04:55  
Anonymous at said...

lindo, Maria.

13/9/07 21:35  
Blogger lebredoarrozal said...

obrigada, minhas meninas...não me façam ficar sem jeito.

blasfemea, tudo o que li da atwood é bom, os meus preferidos são os de short stories, e esses não se encontram traduzidos em português:(

14/9/07 02:22  
Blogger menina-alice said...

Que lindo, Coelha. Já vi que vou ter mesmo de espreitar essa moça, num é?

14/9/07 13:41  

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