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segunda-feira, maio 07, 2007

A quem deixar o meu guarda-roupa oculto
o guarda-roupa fantasma
de todos os vestidos
que tive e que me abandonaram
os vestidos
que nunca tive e que vesti em segredo
O vestido que veio demasiado cedo
e que nunca me caiu bem
o vestido
que chegou já tarde
para ir à festa
quando eu já tinha adormecido

O vestido de criança
tão igual ao vestido
da primeira boneca
O da menina com o corpete já estreito
que apertava os seios doendo-lhe em casulo
O da adolescente que pressentia o homem
ladrão de túnicas na sesta sufocante

O vestido esquecido
da mulher que sob a sombra
do homem eclipse ocultou-se uma noite
e amanheceu como a lua cheia
surpreendida pela luz na metade do céu

O vestido de guerra rasgado
como bandeira
da mãe partida em dois
para sentir-se inteira

O vestido de luto que não levei para os meus
mortos
que ainda vivem

Os vestidos que alguém me emprestou para sonhar

...Quando chegar a morte também será um vestido
que não verei porque estarei a dormir.



Josefina Plá


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3 Comments:

Blogger salomé said...

já sentia o vazio de um novo poema. habituas-nos mal com as tuas diárias .
:)

7/5/07 22:05  
Blogger menina limão said...

O TEU ALICE É O MEU LIVRO DE POESIA PREFERIDO.

a palavra adorar é não poucas vezes mal usada ou desvalorizada. mas é das minhas palavras preferidas, sabe-me bem usá-la no contexto certo.

como aqui, quando digo que adoro o teu cantinho.

oh estou tão sentimentalona. cala-te, limão.
(é de não ter tempo para a blogosfera. quando volto, pronto, parece que venho a fátima cumprir promessas. amen)

8/5/07 19:11  
Blogger lebredoarrozal said...

meninas, meninas, a lebre está corada até ao tutano.
obrigada:)

9/5/07 00:50  

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