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sexta-feira, fevereiro 23, 2007

as pessoas morrem nunca partem de nós, eu separei-te
de mim, cortei-te-me. em cinemas imaginários filmados por
mãos iluminadas usei teu corpo. coloquei o deserto do teu
coração rente à minha boca. lavaram-me o desespero as
lágrimas que choravas no escuro. parti-te.
estou a fazer-te luto. desejei-te tanto. discuti-te tanto
contigo. agora percebo que te atirei demais contra tantos
poemas.
agora encontramo-nos. eu tenho de colar-te os restos
para conseguir ver-te para além do que trago molhado nos
olhos, acabou o passeio no meu jardim interior, pleno de estatuas
quebradas, as noites acabo sempre assim, abraçado ao rosto
restos da pedra, agradecendo-lhe as imagens.



Pedro Sena-Lino


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2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

estranho. senti-me bastante assim hoje e li exactamente isto hoje. é sempre bom saber que os sentimentos sao quase que universais e tao unicos. e sentir-me assim, a cortar e tentar afastar os meus fantasmas que nunca parecem sair da pele. lindissimo o bocado de escrita partilhável.

23/2/07 01:45  
Blogger miguel. said...

Pedro Sena-Lino... um dos meus poetas preferidos, e este poema é muito bonito, embora fale de coisas tristes... mas só mesmo Pedro Sena-Lino para nos cantar a perda e a morte, como se elas afinal nos ficassem tão bem.

23/2/07 23:36  

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