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quarta-feira, julho 19, 2006

tradução caseira da lebre

O curso de um dia nunca é estável.
as horas experimentam com dor e prazer.
Na hora de dormir só conhecem vertigem.
Mas quanto dura um dia?
Tanto quanto o amor, dizem uns.
Mas o amor parte cedo,
antes que o amanhã e a morte comecem.
E quanto tempo dura o dia num dia?
Uns dizem para sempre.
Mas a começar quando?

No mesmo instante em que pela primeira vez
os olhos se arregalaram e não viram nada
num não tão tarde quando, pela última vez,
o tempo durou não mais que um dia,
um dia de adivinhas:
Por quanto tempo é permitido
chamar de tanto o que é tão pouco?


Laura Riding


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2 Comments:

Blogger margarete said...

"por quanto tempo é permitido
chamar de tanto o que é tão pouco?", ora aí está uma questão pertinente
e gosto do ar da moça da foto, imagino-a a interrogar-se :)

19/7/06 09:39  
Blogger viriasman said...

Gostei! Gostei! Gostei! Em particular a quase cacofonia de "não tão tarde" e "o tempo durou". E nada como belas perguntas para fazer rodar esta merda!

19/7/06 13:43  

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