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quarta-feira, junho 28, 2006

Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria rir, chorar,
ou pelo menos sorrir
com a mesma leveza com que
os ares me beijavam.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça,
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando.

Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.

Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.

Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio.

Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.

Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.


Ana Cristina César


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4 Comments:

Blogger margarete said...

:)

28/6/06 10:03  
Anonymous Josef B. said...

... a Ana Cristina César ... :)

28/6/06 12:41  
Blogger lebredoarrozal said...

eu gosto imenso da poesia dela:)

29/6/06 01:51  
Blogger José Lopes said...

Um poema tangível, quase corpóreo, que nos evoca coisas que já sentimos ou suspeitamos

1/7/06 21:53  

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