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segunda-feira, abril 10, 2006

Para cá de mim e para lá de mim, antes e depois.
E entre mim eu, isto é, palavras,
formas indecisas
procurando um eixo que
lhes dê peso, um sentido capaz de conter
a sua inocência
uma voz (uma palavra) a que se prender
antes de se despedaçarem
contra tanto silêncio.
São elas, as tuas palavras, quem diz "eu";
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti.
Tu és aquilo que as tuas palavras ouvem,
ouves o teu coração (as tuas palavras "o teu coração")?

Manuel António Pina


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3 Comments:

Anonymous mariana said...

Lindo o poema.

10/4/06 03:05  
Blogger margarete said...

gostei tanto muito
:)*

10/4/06 07:01  
Anonymous Anónimo said...

OLÁ, GOSTEI DO TEXTO QUE LI, MUITO BOM O SEU BLOG. ACESSE: WW.OCOVILDODEMONIO.THEBLOG.COM.BR E VEJA UM POUCO DO MEU MUNDO, TAMBÉM.DESDE JÁ GRATO PELO ESPAÇO CEDIDO........

10/4/06 20:32  

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