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sábado, janeiro 28, 2006

Uma espécie de perda


Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de
linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos,
utilizados, gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos.
Fizemos. E estendemos sempre a mão.

Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e
por Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,

( - o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um
apontamento)

sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.

De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.

Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a
sua cor mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.

Não te perdi a ti,
perdi o mundo.


Ingeborg Bachmann


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2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

A.: Não me perdeste meu Amor!
Como poderia eu deixar de te amar?!
Como poderia eu não me lembrar dos dias que nos pensamos, das horas que nos sentimos, dos minutos que nos mergulhamos em 'olá', dos segundos que nos correram de palavras... M.Azul

29/1/06 03:22  
Blogger margarete said...

gosto tanto muito desa foto!

29/1/06 13:01  

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