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sexta-feira, setembro 02, 2005

mais uma traduçao caseira da lebre (sim, sim ando em tons de tango)


De interpretação do tango

O tango é uma tábua para os náufragos e um abismo para as mulheres.

Tocam-se outras músicas para que se fechem as feridas, mas os tango toca e canta para que se abram, para que continuem abertas para recorda-las, para meter o dedo nelas e abri-las na diagonal

O tango acredita no motivo que invoca, chora a dor e depois vêm uns passitos burlões, um contrapasso grotesco, um jogo na dor, um fazer chacota cantarolada com o seu próprio sentimentalismo.

Tem sons a carteiras vazia, a carteira da não fortuna, do fracasso económico, de tudo o que não puderam reunir. Soa então a pobreza em plena juventude.

O tango é o resmungo de Buenos Aires e dos seus desterrados, a sua tribulação musical, o seu estertor sentimental, o seu tremor neurótico, o seu ronco sensual, o seu arco-íris privativo.

Ramón Gómez de la Serna



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