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quarta-feira, julho 06, 2005

xli. [fim de amor]

tiveste um nome e era o meu

porque partiste tão cedo
palavra tão palavra
que para designar-te nada
nenhum deus te era linguagem
nenhum silêncio te gritava
e o meu corpo não chegava
para a vida me caber inteira

porque partiste ácida e vazia
como veneno como sangue
porque partiste como água
morta que só não corre mais
e o que fazer deste mundo
que assenta no morto que sou eu

tiveste o nome e eu era-o

como a natureza chama o seu contrário
os pulsos do ruído surdo
rasgam as paredes do tempo
digo o meu nome dentro da cabeça
e nem o eco me pertence

tive o teu nome e era o meu

partiste todas as palavras
partiste em todas as palavras
e os verbos nascem mortos na garganta
as palavras não dizem as palavras
e as palavras pensamentos sem corpo
agarram um horizonte negro
improferivelmente eu

já tive um nome
agora sou apenas eu

pedro sena-lino



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2 Comments:

Blogger contraluz said...

tão bonito o poema quanto a fotografia. como só tu sabes.

7/7/05 17:17  
Blogger margarete said...

ouch!

7/7/05 22:15  

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