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Terça-feira, Agosto 31, 2010

É tão bom começar a manhã com tudo o que
queremos ser neste dia, olhar sem medo pela
janela, ensaiar uns passos fora da pele.
Já não somos nós, nem mesmo é nosso o dia.
Tropeçamos nos olhos espantados à volta
do que vemos, precipitamo-nos para dentro e é tudo
o pouco que fizemos. Dizemos que a pele
é a nossa casa, enumeramos as assoalhadas,
a arquitectura sólida, as vantagens de grades
nas janelas. Depois fica-se triste até ao fim do dia.
Há quem faça compras ou coma chocolate,
quem diga mal de todos, quem não acorde a espreitar
pela pele como ser outro, mas ele está a dois passos,
a respiração, a temperatura, o olhar, o corpo móvel
que se afasta levando o horizonte e só nos resta
sonhar com a manhã seguinte e todos os dias –
- todos os dias - mentimos para dentro da pele.




Rosa Alice Branco




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Sexta-feira, Agosto 27, 2010

é provável que fale de ti para descobrir onde é que ainda gosto de mim. no fundo, tu não existes, ou já não existes dentro de mim, fazes parte do meu falhanço. surge o risco de enlouquecer sozinho. mas, se me estiveres a ouvir, ajuda-me a caminhar na tua direcção. não me dês espelhos, não me enganes mais, não demores a chamar-me.





Al Berto




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Quinta-feira, Agosto 26, 2010

Sou a tua inocência.
Restaura a tua loucura.





Elizabeth Azcona Cranwell




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Quarta-feira, Agosto 25, 2010

Ao sol começa a faltar lenha, a rua
por onde agora eu sigo
vai só até onde a memória a conseguir abrir.




Luís Miguel Nava




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Terça-feira, Agosto 24, 2010

Havia um terraço com plantas
onde fazia calor durante a noite.
Podiam ouvir-se os comboios
e a sirene rival da moagem, o trovão
era a voz de um deus contrariado
pela nossa inocência. Punham-se
as ameixas a secar ao sol,
penduravam-se uvas por cima
do escano. E no princípio do Outono
tiravam-se as colchas das arcas.
E chovia muito e cheirava a cânfora.





Rui Pires Cabral





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Domingo, Agosto 22, 2010

Voltemos a isto, ao cálculo dos danos
na máquina do mundo, à impotência do riso
contra tudo o que não sabemos mudar:
a morte, o egoísmo, o levadiço coração
humano. Porque não há mais nada (ok,
há o amor – vai-te foder) e nos negócios
da razão o pessimismo é a moeda
do momento. Regressemos ao ruído,
à sombria comissão liquidatária
desta fábrica de trapos coloridos.
Se não há melhor emprego para a culpa
e os domingos custam dias a passar.





José Miguel Silva




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Quarta-feira, Agosto 18, 2010

Tem de se conter a respiração
até que o vento amaine
e o ar desconhecido nos comece a envolver,
até que o jogo de luz e sombra,
...de verde e azul,
nos mostre as estruturas antigas
e estamos em casa,
seja onde for
.





Hilde Domin




Domingo, Agosto 01, 2010

we're all going on a summer holiday
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