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sexta-feira, julho 02, 2010

maria sousa em Lituano po Sonata Paliulytė



kai ištraukiam žodžius iš gatvės
miestas lieka lange

kur neveikėm nieko tik slėpėm gyvenimo liekanas

išėjimo rodyklė į šitą peizažą
ne kas kita kaip tolumoje pridegta cigaretė

tad naktis - tai scena parengta
repeticijai dar neįvardinto





maria sousa





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quarta-feira, maio 10, 2017

a porta é só uma porta
mas quarto a quarto vou fechando
o mundo

é a minha história que conto

boa noite, boa noite
 
amanhã conto-te o resto
se for capaz de me lembrar



maria sousa




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quarta-feira, novembro 23, 2016

HEART ATTACK AND VINE (TOM WAITS)

(Para a Maria Sousa)

Caminhar cansa, mais vale
Ficar sentado a gerir os efeitos
Das lágrimas nas palavras
Ainda líquidas. Mais vale a
Caneta a atravessar o fumo
E a mansidão dos sabores.

Ir a pé arrasa com o fôlego, deixa
Os olhos fixos na calçada, sem
Vontade das montras. Se ouvíssemos
Apenas os sons do bilhar na sala
Ao lado, talvez a cerveja
Não nos caísse tão mal, talvez

O sono passasse e quiséssemos
Antes bailar ao som dos mais belos
Êxitos dos anos ‘80 ou coisa que o valha.
As metáforas são para quem
As não entende (o que faz um ás de espadas
preso ao fio do telefone?). Quem sabe

Onde fica Cahuenga, como lá chegar?
É claro que cansa e só não o sabem
Os que nunca pediram a Deus
O dom da descrença. Levanta a mão
E pede mais duas ou três das que fazem
A demora apurar a rouquidão.



Rui Almeida



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quarta-feira, julho 27, 2016

Cover


Nesta casa envelheceremos. E veremos as nossas sombras chegar a um apeadeiro, esse onde habitam os vizinhos. Casais que chegaram a este bloco já há vinte anos com os filhos da idade dos nossos, tu e eu éramos então uns desconhecidos. Amávamo-nos e depois voltávamos ao fogo materno, brasas que hoje esperam a nossa chamada.

Nesta casa envelheceremos. Digo-to eu, quando ainda não sofremos o sinal do desencanto. Sobrevivemos, já ganhámos alguns pulsos à morte. E agora abraçamo-nos inseguros mas ainda esfomeados. As paredes ainda respiram um ar provisório. Ainda há espaços possíveis, espelhos escondidos, regiões desconhecidas. Na casa, no armário, no teu corpo. A vida ainda não é ainda algo irreversível.

Nesta casa envelheceremos. E os veremos sair altos e redondos para as cerimónias. E os veremos chegar derrotados e lhes diremos que nada é para sempre. E a sua alegria será a nossa, multiplicada. E também a dor. Não sei se então seremos felizes. Não sei se existe ser feliz , desconheço essa fórmula matemática. Mas sei que vou querer voltar a esta casa quando aumentar a tempestade. Sei que aqui, ao abrigo desta casa, estarei a salvo. Junto a ti, salvo.




Pablo García Casado
FARÓIS ACESOS À PROCURA DO OCEANO
de Pablo García Casado

tradução Maria Sousa
Editora Do Lado Esquerdo







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quinta-feira, maio 05, 2016

o café é um lugar de espera
com mesas, cadeiras, portas abertas,
fechadas, e gente, muita gente

como fronteira da rua, um silêncio cheio de som

passa gente e como numa imagem com grão
há sempre a chuva dos dias mais curtos
percebes então que este é o lugar mais nítido
de não ir a lado nenhum




maria sousa




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segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Escrevo-te cartas, muitas cartas
palavras em excesso
a descrever paisagens vazias

como frases de um guião que o
esquecimento  apagou

ali o tempo não passa

e onde eu continuo a caminhar
porque tenho que ir para algum lado


Maria Sousa





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sexta-feira, janeiro 08, 2016


Coisas que fazem o coração bater mais depressa


Pardais a alimentar as suas crias. Passar por um lugar onde brincam bebés. Dormir num quarto onde se queimou incenso delicado. Reparar que o nosso elegante espelho chinês está a ficar baço. Ver um cavalheiro parar a sua carruagem em frente ao nosso portão e mandar os seus criados anunciar a sua visita. Lavar o cabelo, preparar-nos e vestir roupas perfumadas. Ainda que ninguém nos veja, sentimos um íntimo prazer. É de noite e esperamos uma visita. De repente somos surpreendidos pelo som das gotas da chuva que o vento atira contra as persianas. 


Sei Shonagon
( versão maria sousa)



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quarta-feira, março 04, 2015

só o verde fala neste tempo de silêncio
somos gastos pelos ruídos do lado de fora das árvores
espera, pensei em folhas e a primavera explodiu-me na boca





maria sousa



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terça-feira, janeiro 20, 2015

a casa é uma memória onde
devagar desenho percursos
(mapas para inventar o tempo)

para a habitar reparto as sombras

e enquanto as estações se confundem
acordo para uma insónia agitada
onde uma casa existe
mas não tem paredes




Maria Sousa

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sábado, novembro 01, 2014

mais uma vez desce as escadas
para falar de ausências

tem medo e em dias curtos decide
envelhecer no interior da casa

ao sono conhece-o como fuga ao silêncio

um dia escreveu (era domingo) sobre os vestígios
da respiração nos pequenos nadas

anos depois refugia-se no outono como
quem vê a vida toda nas folhas



maria sousa



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quarta-feira, julho 02, 2014

neste lado da vida,
há um sentido vago do lado de fora

fecho e abro a porta,
fecho, fecho
(fecho muitas vezes)
a solidão na casa

sabes, faltam-me objectos
mas há espaço para os nossos silêncios


Maria Sousa


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sexta-feira, fevereiro 07, 2014

sabes como magoa a madrugada?

quando passas dias inteiros
entre quatro paredes
todos os dias são inverno

tens um cigarro?

a manhã nasce sempre de ausência
e rodeada de um silêncio
tão vazio
( as memórias magoam)
faço uma lista de todas as mortes
possíveis



Maria sousa




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segunda-feira, dezembro 02, 2013

digo que faço mapas das lágrimas

mais do que água é inventar paisagens onde
te faço memória

qualquer coisa entre o olhar e o vazio
de dizer palavras contadas pelos dedos




Maria Sousa




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segunda-feira, setembro 30, 2013

This little girl has lost her way 
this little girl's not coming home today
quando as ruas ficaram frias
(only the lonely understand)
desenhei mapas na mão
cheia de planos para voltar

mas todos os mapas
acabam em ruas sem casas

perdida na geografia da minha solidão

queria dizer-te que não faço mais
do que me aquecer
this little girl has lost her way
this little girl's not coming home today



Maria sousa
in "mixtape"
editora Do lado esquerdo




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segunda-feira, julho 15, 2013

quando a casa se cala
de repente aprendo a ter medo
e fui eu que pedi este silêncio

ainda tenho o sabor a quente das palavras

abro e fecho armários e gavetas
queria um lugar fechado para guardar memórias

depois

fico ali sentada à espera que algo aconteça



maria sousa



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sexta-feira, junho 14, 2013

podemos cantar um canção os dois
a valsa da matilde do waits
a voz do vinagre onde o álcool se transforma em
som

algures no nosso oeste
cactos e bagaço
o blue valentine na kentucky avenue

uma lágrima numa longa
noite sem fim
porque esperamos?
não sei
juro que não sei
sentada na berma
ja tenho doses de noites a
mais
de esquinas e portas
de adeus em adeus
elas não suportam a separação
não choram mais porque secaram
i never talk to strangers

o som da cidade
fica restabelecido e já não tenho horas
o relógio parou
e eu fiz um gesto obsceno
e desapareci



maria sousa



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domingo, maio 19, 2013

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(maria sousa e nuno abrantes)

sábado, março 30, 2013

O MEU LIVRO


A mulher ilustrada

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Do lado Esquerdo 01
A mulher ilustrada
de Maria Sousa
150 exemplares, 50pp.

os livros só serão vendidos online, se o quiserem comprar basta enviarem um mail para: editoradoladoesquerdo@gmail.com 
ou mandarem uma mensagem para a nossa página do facebook.
https://www.facebook.com/DoLadoEsquerdo

Responderemos com as instruções necessárias para o envio do livro.

sábado, janeiro 26, 2013

se calhar há na distância a confirmação
de que vamos acumulando vazios

não tanto pelo que resta
mas sobretudo pela maneira
como o castelo de cartas
parece vacilar

apenas isso um tremor de paredes vazias
num tempo que não sei nomear

não é dia de fechar janelas
o papel amarelece e descola

e no fim resta o que acontece nas pausas



maria sousa




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sexta-feira, janeiro 18, 2013



a casa é uma memória onde
devagar desenho percursos
(mapas para inventar o tempo)

para a habitar reparto as sombras

e enquanto as estações se confundem
acordo para uma insónia agitada
onde uma casa existe
mas não tem paredes



maria sousa




 photo fotografia3_zps56fce690.jpg

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