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Sábado, Dezembro 31, 2011

BONHANHO

Sábado, Dezembro 24, 2011

Quarta-feira, Dezembro 21, 2011

Pergunta-se um nome e ninguém responde.
Onde fica essa ilha a que só chegamos por naufrágio?




Vasco Gato




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Sexta-feira, Dezembro 16, 2011

Os poemas têm veneno na boca.

Na estrada da minha vida
plantei a árvore
sem saber quem era.

Em que parte do planeta
há mais ódio? A matéria
erosiva transforma o corpo
e não há regresso. Não
restará um monte de estrume.

Em todo o lado
parece que o mundo em desordem
pouco a pouco enlouqueceu
e os homens atam a corda
à espera que aconteça.

São infelizes
mas não o suficiente.
Não sabem dizer
por que se esquecem de amar.




Isabel de Sá




Terça-feira, Dezembro 13, 2011

no princípio era

não dormia sem o escuro absoluto,
doíam-lhe os olhos de ter visto cidades,
de ter esquecido gente, do frio
do vidro nas palavras. Demorava tanto
a entender o mundo que agora não dormia
de muita luz que as coisas tinham
antes sequer de serem suas. Trabalhava-se tanto
nesse lugar onde vivia com outros como ela
que às vezes pensava: tão estranho nascer
(quer dizer, nascer mesmo, estar aqui)
para o dia passado com estranhos.
E por isso, no princípio, não dormia
sem procurar o amor, sem beijar na testa
a noite que acabava serena e exausta como a noite.

No princípio era.
Depois esvaziou-se com cuidado.




Filipa Leal



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Quarta-feira, Dezembro 07, 2011

com o tempo na pele
o amanhã não passa de um vazio

há uma mesa posta, um cigarro aceso
e em cada sílaba histórias por acabar

como quem está de passagem
corro a cortina

tudo o que se agarra a mim são sombras

podia ter escrito sobre a tua ausência
é tarde
e com os lábios feridos
não consigo dizer coisas bonitas


Maria Sousa


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